O Sarau Literário “Macaé em Versos e Memórias”, reuniu escritores, leitores, artistas, famílias e pessoas que acreditam na força da palavra e da cultura
Na
manhã do último sábado (22), a arte e o ciclo da vida se encontraram. É que
mesmo estando nublado, em tempo de inverno, o Solar dos Mellos – Museu da
Cidade, ficou iluminado. A primavera se aproximou trazendo suas pétalas
coloridas de poesias, prosas, contação de histórias e lendas, despertando
sentimentos, amor, recomeços e a beleza efêmera da estação. A data marcou o
Sarau Literário “Macaé em Versos e Memórias”, que reuniu escritores, leitores,
artistas, famílias e pessoas que acreditam na força da palavra e da cultura.
O
evento, promovido pela Academia Macaense de Letras (AML), integrou a
programação comemorativa pelos 213 anos de Macaé e foi aberto pela primeira
mulher eleita presidente da instituição, a escritora e acadêmica Mariúcha
Corrêa. Ela conta o significado do Sarau.
-
Foi muito significativo para os membros da AML e para população macaense.
Tivemos uma manhã leve, criativa e com grandes trocas artísticas. A arte
aproxima e nos coloca em um lugar de memória - de resgate e de construção!
Nesse sentido, a Academia Macaense de Letras vem cumprindo sua missão: fomentar
a literatura, incentivar a formação de leitores e preservar o legado cultural,
a memória e a história de Macaé e da região fluminense -, ressaltou.
Durante
o Sarau, o acadêmico de letras Rildo Loureiro, representando a diretoria da
AML, conduziu a solenidade da posse de duas acadêmicas: Jornalistas Raíla
Maciel e Adriana Bacelar.
O público presente contou com uma programação diversificada: contação de histórias, lendas, declamação de poesias e prosas relacionadas a Macaé, relatos de memórias, produção cultural, exposições de obras de arte e dos livros dos acadêmicos de letras. A animação ficou por conta de Lita Lopes (cantora macaense) e Luís Monteiro (violão).
No burburinho cultural do evento, ‘subiram ao palco’ diversos escritores partilhando poesias, prosas, textos, lenda e cordel. Dentre eles estiveram Thaís Pessanha, (leu o poema do acadêmico Héverton Quintes “Entre a Serra e o Mar”); Sandra Wyatt (poema de cosmovisão); Gil Lourenço (poesia “Utopia Atemporal”); Mariúcha Correa (poema “Identidade”); Rildo Loureiro (poema Alma em palavras); Alexandre Bordalo (poesia Macaé); Lourdes Acosta (prosa “Meu Tributo à Macaé”, com a participação especial do neto Daniel Henry); Kátia Teixeira (Lenda “Papa-lambida”); Ana Paula Mattos (Macaé em cordel, do professor Aldo Cesar Vasconcelos); Raíla Maciel (poesia Vivaz e registrou todo o evento midiático); Aurora Pacheco (poesias da serra macaense - Sana, Bicuda e Glicério) e Gerson Dudus (poesia de sua autoria). Além dos acadêmicos, os convidados utilizaram o “Microfone Aberto” para mandarem seu recado: Zuza Zapata (poesia “Amor só não basta”, de Drumond); Arthur Lahmann, aluno da rede municipal (poesia “Macaé, minha terra querida!”); Flávia Regina Oliveira, autora carioca (relato sobre suas obras e o interesse em participar da AML) e Pedro Lourenço, de 13 anos de idade (declamação de um poema autoral).
A
educadora e contadora de história, Kátia Teixeira, narrou aos presentes a lenda
urbana e folclórica, típica da cidade de Macaé, a “Papa Lambida”, discorrendo
sobre um vendedor humilde que andava pelas ruas do centro da cidade vendendo
tabuleiros de papa de milho. Para ela, participar deste Sarau foi viver um
momento de pertencimento, de alegria e de profunda emoção. “Celebrar a nossa
Macaé por meio das histórias, da poesia, da memória e da cultura, foi muita
emoção, algo muito especial. Cada palavra compartilhada, cada história evocada
e cada encontro ajudou a construir uma manhã luminosa e cheia de afetos e
significados”, pontuou.
Já
a escritora acadêmica Gabriela Oliveira, que participou do Sarau com a
exposição de seus livros, foi enfática ao apontar o significado do Sarau. “Foi
uma manhã de trocas, histórias, livros, memórias e afetos. A literatura não
vive apenas nas páginas, mas também nos encontros que ela provoca. Fiquei muito
feliz por fazer parte desse movimento e por dividir esse espaço com tantos
autores e pessoas que ajudam a manter viva a produção literária de Macaé -, destacou,
sendo completada pela acadêmica recém-empossada Raíla Maciel. “O sarau foi um
presente da AML para os amantes da literatura. Coloriu a manhã acinzentada de
sábado com muita arte! Foi um momento de encontro e de pulsar da criatividade”,
assegurou.
Na
ocasião foram sorteados três livros cedidos pelas autoras Sandra Wyatt – “Macaé
em verso”, Thais Pessanha – “Dias ao Sol” e Lourdes Acosta – “Aos trancos e
barrancos foi o nosso amor”. Os contemplados foram: Lúcia Tomaz, Janaína Piroze
e Daniel Henry.
Quem
é a AML - A Academia Macaense de Letras (AML), fundada em 1963, por Antonio
Alvarez Parada, carinhosamente conhecido como Tonito, ao lado de importantes
nomes da cena intelectual e cultural macaense da época, foi reativada em 2025,
após 62 anos de existência. Composta por 40 escritores, vem desenvolvendo ações
voltadas ao incentivo e à valorização da literatura no município. Para a
realização do sarau a AML contou com o apoio da Prefeitura, através da
Secretaria Municipal de Cultura.
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Lourdes
Acosta
Jornalista
e Escritora
Macaé,
23/08/2026.

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