Selecionada
pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, Raíla Maciel, autora de Eu Nunca Falei
Sobre Isso, passou por Madureira, Três Rios, Duque de Caxias e Cocotá em
encontros marcados por escuta, pertencimento e troca com o público
A
jornalista e escritora Raíla Maciel, natural de São Luís do Maranhão e moradora
de Macaé há dez anos, deu início à turnê de lançamento de seu primeiro livro,
Eu Nunca Falei Sobre Isso, em diferentes territórios do estado do Rio de
Janeiro.
Selecionada
pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, com produção do também artista macaense
Zuza Zapata, a autora passou pelos Sescs de Madureira, Três Rios, Duque de
Caxias e Cocotá, em uma primeira etapa marcada por rodas de conversa, escuta
sensível e reflexões sobre memória, identidade racial, ancestralidade e
resistência feminina negra.
Integrante
mais jovem da Academia Macaense de Letras, Raíla publicou seu primeiro livro,
Eu Nunca Falei Sobre Isso, de forma independente com recursos da Lei Paulo
Gustavo, por meio do projeto Escrevivente: a escrita criativa da mulher negra,
aprovado pela secretaria de cultura de Macaé. A circulação do livro tem
promovido diálogos sobre memória, identidade racial, ancestralidade, racismo e
resistência feminina negra. A partir de uma narrativa autobiográfica, a obra
literária convida o público a refletir sobre silêncios herdados, dores
coletivas e possibilidades de reconstrução.
A
presença de uma autora radicada em Macaé, em circulação por diferentes
territórios do estado do Rio de Janeiro também reforça a potência da produção
literária realizada fora dos grandes centros culturais. Ao reunir
literatura, memória e diálogo, Eu Nunca Falei Sobre Isso reforça a importância
da representatividade e da valorização das vozes negras, promovendo reflexões
que ultrapassam as páginas do livro e se transformam em experiências
compartilhadas.
Inspirada
pelo legado de autoras como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Audre
Lorde, Neusa Santos Souza, bell hooks e Djamila Ribeiro, Raíla propõe uma
escrita que nasce da experiência pessoal, mas se expande em direção ao
coletivo.
-
Contar essa história como mulher negra é uma forma de gerar identificação e
incentivar outras mulheres a romperem o silêncio sobre suas dores, denunciando
violências, vencendo a culpa e a vergonha para existir com mais inteireza -,
destaca a autora.
Nas
quatro primeiras unidades visitadas, a presença do público confirmou a potência
da proposta. Em uma das rodas de conversa, uma participante resumiu a
experiência ao dizer: “Estou muito agradecida de poder te ouvir e saber que as
minhas histórias também podem ser contadas um dia”. A primeira etapa da turnê
também evidencia a importância de políticas culturais que possibilitam o
encontro entre autores, territórios e públicos diversos. A circulação do
projeto segue nos próximos meses totalizando dez encontros. As próximas
paradas estão previstas para o Sesc Nova Iguaçu, no dia 26 de junho, às 17h, e
para o Sesc São João de Meriti, em 2 de julho. A turnê passará ainda pelo Arte
Sesc, Sesc Quitandinha, Campos dos Goytacazes e Grussaí.
Para
Raíla, essa primeira etapa representa apenas o começo da jornada. Como
sintetizou a autora, a expectativa é que “as palavras por tanto tempo
silenciadas continuem ecoando, ocupando espaços e fazendo um barulhão por onde
passarem”.
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Por
Raíla Maciel
Jornalista
e Escritora
Edição:
Lourdes Acosta
Jornalista
e Escritora
Macaé,
03/06/2026.
