Nestes
213 anos de emancipação político administrativa de Macaé, minha singela homenagem
com esta prosa...
Maranhense de nascimento, macaense de coração. Sou da terra dos poetas, onde canta o sabiá. Adotei Macaé com pátria e fui acolhida de braços abertos pela "Princesinha do Atlântico" que começara a se chamar "Capital do Petróleo", cidade que se impõe entre a serra e o mar. Quando aqui cheguei no ano 2000, Macaé já respirava os ares do desenvolvimento, passando da calmaria das redes de pesca para o pulsar do ouro negro, vivendo nessa dualidade constante: o mar que alimenta os pescadores no Mercado de Peixes é o mesmo que sustenta a economia nacional, sob camadas profundas de petróleo e sal.
A
história conta que seu povoamento e colonização começaram bem antes, no século
XVII, com a chegada dos portugueses em 1627 e a construção da Capela de Santana
pelos jesuítas. No entanto, foi apenas em 1813 que a localidade deixou de
pertencer a Cabo Frio e Campos para ganhar a emancipação político administrativa.
O
Legado de Velho da Silva - Curiosamente, a Vila de São João de Macahé, em 1830 teve um
aliado – Velho da Silva, estadista de espírito refinado, que atuou como
diplomata e político, exercendo um papel fundamental na transição econômica e
urbana da Região, consolidando Macaé como um ponto estratégico do Império. Sua
intervenção ocorreu na construção do Canal Macaé Campos, na estrutura e
transição do Porto de São João de Macaé, que funcionava na foz do Rio Macaé
para Imbetiba, além da construção de trapiches e armazéns permitindo que o
açúcar produzido nos engenhos ficasse estocado com segurança até o embarque
para a capital...
Hoje,
as luzes das plataformas brilham ao longe como estrelas artificiais caídas no
oceano, rivalizando com os postes da rodovia Amaral Peixoto e o burburinho dos quiosques
e restaurantes misturando ternos, macacões de firmas e roupas de praia. Macaé
acolhe a todos sob o mesmo céu quente. No fim das contas, a verdadeira riqueza
dessa terra não está apenas no óleo que brota das profundezas, mas, na
capacidade quase poética de se reinventar todos os dias entre o asfalto, a
serra e o mar.
Da
Serra ao Mar
- Saindo da história e passeando pela natureza, ancoramos em suas belezas
ambientais, pois Macaé não perdeu sua alma de mar; apenas aprendeu a navegar em
águas mais profundas. Ela guarda na mão a rede do pescador e, na outra, a chave
que acende o amanhã... É preciso banhar nas águas do Pecado, das Pedrinhas e
dos Cavaleiros, ornada de luzes e cores... Trilhar o Peito de Pombo e se
deliciar no circuito das águas do Sana, nas cachoeiras Sete Quedas, Andorinhas,
Segredo; Escorrega e Lage (Bicuda Pequena); Duas Barras (Bicuda Grande) e
Cachoeira Arataca, na Serra da Cruz (Trapiche), entre outras.
...
Tornou-se obrigatório fazer
caminhadas, no Parque Natural Municipal Fazenda Atalaia, em Córrego do
Ouro, com suas trilhas ricas em Mata Atlântica; escalar o ponto mais alto do
município, o Pico do Frade (1.750m), na Serra dos Crubixais; visitar a Fazenda
Airis, nas margens da rodovia RJ-168, para imergir na história e na cultura
rural... É preciso conhecer as ruínas do Farolito (Farol Velho), navegar até o
Arquipélago de Sant'Ana (Ilhas de Santana e do Francês), um santuário ecológico
de águas cristalinas, que dista a 8km da costa de Macaé... É preciso, ainda, visitar o Solar dos
Mellos (1891), que guarda, preserva a história de Macaé e sedia o Museu da
Cidade com um acervo de fotos, manuscritos e registros audiovisuais, narrando a
trajetória da cidade e de memória...
...
É preciso viver “Onde o mar beija a areia morena, onde o rio se encontra com
o mar, onde sol banha a terra serena tu estás Macaé a sonhar... Macaé, minha
terra querida, se os anos te fazem crescer, para nós tu és terra onde a vida,
fica sempre em constante nascer” ... É preciso amar a cidade. É preciso
amar Macaé!...
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Lourdes
Acosta /Jornalista e Escritora
Ocupante
da cadeira 37 da Academia Macaense de Letras (AML)
que
tem como patrono Amaro Velho da Silva (1780–1845).






